sábado, 13 de outubro de 2012

Diários de uma Adolescente Morta

Meus dias foram insólitos.Deixei de ir a escola,só ficava trancada ouvindo música,ou pelo menos o pessoal de casa pensava que eram músicas,mas na verdade eram poemas que eu tinha em gravação de áudio,de muito tempo atrás.Como ficava trancada no quarto,a cada 20 minutos um de meus familiares perguntavam se eu estava bem,mas eu tinha a completa certeza de que isso era para se certificarem de que eu não havia fugido,(como se fosse possível tamanha fuga,pois minha janela estava trancada por correntes e depois por uma grade do lado de fora).Eu ficava ali naquele quarto vazio,por grande parte do dia, só saia pra comer ou tomar banho,isso quando eu me alimentava pois não sentia fome,mas as vezes eu lembrava que estava em um corpo mortal e que ele necessitava de energias retiradas de alimentos comuns.
    Algum tempo após minha primeira tentativa frustada de sair daquela casa,eu já tinha outro plano pronto para ser aplicado,porém algo estranho realmente me surpreendeu.Quando cheguei ao final de minhas faixas de voz descobri que em meio à elas continha uma faixa a mais das quais eu havia gravado...Escutei.
Nela uma voz estranha,roca,aparentemente masculina,porém doce,que falava de um lugar,um endereço,um horário,se dirigia à mim,sabia porque ele usava meu nome.Eu iria me arriscar novamente,mas agora faria tudo certo e ainda encontraria quem havia feito aquela gravação.
     Pois bem,eu sempre achei que em algum momento da minha "vida" necessitaria usar um sonífero,por isso,à algumas luas comprei e escondi no assoalho.Por sorte as refeições sempre eram com todos daquela casa sentados à mesa e de vez em quando eu era designada para preparar um suco.Isso aconteceu e eu despejei todo o mediano vidro dentro da jarra.Todos sem exceção,beberam e em pouco tempo estavam desacordados,era minha chance.
   Peguei todos os meus pertences que haviam sido confiscados,peguei minha mochila que já estava pronta e com muita dor,causada por orgulho e apego humano,deixei meu violão para trás.Tranquei a porta de casa e sai.Era noite e não havia vizinhos que me veriam sair.Fui para o ponto de ônibus e peguei uma lotação até o metrô.De la desembarquei no centro da cidade decidida de que desvendaria os mistérios daquela gravação.
    Fui caminhando pelas ruas desertas do centro da cidade.Acabei encontrando o endereço,era uma esquina,número 616,bati no portão.Ninguém apareceu.Toquei o interfone,a mesma doce voz que ouvi na gravação perguntou quem era,mas eu sabia que ele me reconheceria pois havia uma câmera ao lado de fora.Apenas disse meu nome,o mesmo nome que ele tinha usado,o mesmo nome que o mundo tentou esquecer...
    O portão se abriu...Apenas entrei.

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