Parte IV: Well, well, welcome to hell
Após despedir-me de meus amigos retornei à casa de minha progenitora,voltando pela mesma janela na qual eu havia pulado.Era cedo,e todos ali naquela casa ainda dormiam.Eu estava completamente cansada,porém meu corpo não demonstrava essa sensação,me sentia bem por dentro apesar de estar aprisionada.Meus pensamentos agora eram coisas incontroláveis que jorravam a cada segundo e traziam mais e mais perguntas.Sentava em minha cama em ponto delirante,em busca de respostas.
Passei o maldito fim de semana enfurnada em meu canto na esperança de evitar perguntas,brigas ou qualquer coisa do tipo,tudo para não olhar para as pessoas que ali convivam comigo.Funcionou nas primeiras três semanas mas na quarta fui apanhada quando pulava a janela de volta para a residencia.
Consegui uma perfeita discussão e uma janela bloqueada por correntes,meu quarto e minha vida tornou-se um cativeiro maior do que eu já vivia.Well,well,eu estava no verdadeiro hell.
Não podia me comunicar com meus "amigos",a escola era um verdadeiro caos,principalmente porque minhas notas decaiam cada vez mais,em casa não havia conversação,todo e qualquer dialeto eram discussões acerca de minhas notas escolares.Finalmente me cansei de tudo,de todos e já sabia o que fazer e ia por em prática.
Foi quase como nos filmes...
Fiz uma cópia da chave de casa,arrumei minhas coisas (apenas o essencial,como livros,notebook,violão,dinheiro e algumas roupas) e esperei até que todos estivessem dormindo.Não me arrependi em nenhum segundo do que eu estava fazendo,virei as costas e sai andando sem direção para o mais longe que eu conseguisse chegar.Já era quase manhã quando cheguei em uma praça,não tinha nenhum senso de direção,não sabia aonde estava,segurei firme meu violão e deitei sobre um banco fazendo minha mochila de travesseiro,adormeci.Quando acordei minhas coisas por sorte ainda estavam lá porém havia um carro de policia há alguns metros de onde eu estava deitada.Um deles notando meu espanto se aproximou de onde eu me encontrava,e por um azar tremendo eu o conhecia e tinha a obvia certeza de que alguém de casa o havia mandado.
-Oi! Sua família esta doida atrás de você,terá que nos acompanhar mocinha!
-Ok..
Não conseguiria fugir e não deixaria minhas coisas para trás,nesse ponto sou bastante materialista.Entrei no carro e ao chegar em casa mais e mais briga,quase apanhei,mas minha progenitora não foi capaz de tanto,conseguiu apenas me castigar mais,pegar todas as minhas chaves e coisas e esconde-las.Com toda a certeza isso envolveria visitas em psicólogos ou eventuais psiquiatras.
Foi a primeira vez que tentei fugir,mas não seria a última....